Resmungos da velha mídia

A velha mídia não ficou nada contente com a entrevista coletiva que Lula nos concedeu. Nunca antes na história deste país jornais redigiram textos e textos criticando uma entrevista coletiva concedida a outro veículo de comunicação.

Chegam ao cúmulo de sugerir que Lula deva se limitar a dar entrevistas a seus opositores políticos, devendo manter todos aqueles que de uma forma ou de outra seja simpáticos a seu governo em profundo ostracismo. Do contrário, a entrevista será automaticamente rotulada de “chapa-branca”, ainda que as perguntas demonstrem claramente o contrário.

Esta crítica, porém, chamou-me a atenção, pois foi dirigida diretamente à minha pergunta:

Nas entrevistas tradicionais, em que não há seleção ideológica, não se vê, por exemplo, o entrevistado precisar corrigir o entrevistador que estranha o fato de as indicações ao Supremo Tribunal Federal não terem deixado a Corte com “a cara do governo Lula”.

“Graças a Deus o Supremo não ficou com a cara do governo”, respondeu o presidente a um rapaz que se identificou como representantes de um “blog jurídico”, ensinando-lhe, em seguida, algo sobre a independência dos poderes inerente à República.

Esta senhora, que se identifica como jornalista de um grande jornal, parece não ter se dado conta de que eu fiz uma pergunta e não uma afirmação ao presidente. Daí por que o presidente não me corrigiu, mas respondeu à indagação que lhe foi feita. Talvez por vício de sua própria formação, a senhora jornalista pressuponha que toda pergunta é dirigida para que seja dada uma determinada resposta. Eu, porém, que sou um mero amador, não tive a intenção de que o presidente concordasse ou discordasse da minha pergunta.

A senhora jornalista, porém, na sua ânsia de criticar, acabou cometendo um equívoco grosseiro ao alegar que uma nomeação ideológica de ministros do STF feriria a “independência dos poderes inerente à república”. A questão não tem absolutamente nada a ver com separação de poderes, pois é a própria constituição que atribui poderes ao presidente da república para nomear os ministros do STF. O presidente é livre para indicar o ministro do STF, pelos critérios políticos que bem entender. A interferência política no STF, ao contrário do que parece crer a senhora jornalista, não é um vício do sistema, mas é a essência do próprio modelo constitucional adotado.

É o tipo de crítica que só se lê mesmo nos grandes jornais que se julgam especialistas em generalidades.