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	<title>Túlio Vianna</title>
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		<title>Túlio Vianna</title>
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		<title>Sobre meu projeto de pesquisa na pós da UFMG</title>
		<link>http://tuliovianna.wordpress.com/2011/12/28/sobre-meu-projeto-de-pesquisa-na-pos-da-ufmg/</link>
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		<pubDate>Wed, 28 Dec 2011 14:38:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Túlio Vianna</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[direito]]></category>
		<category><![CDATA[mestrado]]></category>
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		<description><![CDATA[Com a divulgação pelo Programa de Pós-graduação da UFMG das novas linhas de pesquisa e projetos dos professores orientadores, muitos alunos têm me indagado sobre quais temas seriam pertinentes para se candidatarem ao mestrado sob minha orientação. Como se pode ler na página oficial do programa, meu projeto individual de pesquisa intitulado &#8220;A regulação penal [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=tuliovianna.wordpress.com&amp;blog=4381598&amp;post=1147&amp;subd=tuliovianna&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Com a divulgação pelo <a href="http://www.pos.direito.ufmg.br" target="_blank">Programa de Pós-graduação da UFMG</a> das novas <a href="http://www.pos.direito.ufmg.br/arealin.asp" target="_blank">linhas de pesquisa</a> e <a href="http://www.pos.direito.ufmg.br/projpesq.asp" target="_blank">projetos dos professores orientadores</a>, muitos alunos têm me indagado sobre quais temas seriam pertinentes para se candidatarem ao mestrado sob minha orientação.</p>
<p>Como se pode ler na <a href="http://www.pos.direito.ufmg.br/projpesq.asp" target="_blank">página oficial do programa</a>, meu projeto individual de pesquisa intitulado <strong>&#8220;A regulação penal dos corpos&#8221;</strong> tem a seguinte ementa:</p>
<blockquote><p>O projeto trata do uso do Direito Penal como instrumento coercitivo de controle social dos corpos e de imposição de moralidades, em especial, das religiosas. Procura desvelar os discursos da dogmática penal que ao longo da história legitimaram a regulação dos corpos, bem como os que atualmente são utilizados pela biopolítica para legitimar o uso de modernas tecnologias informáticas e biotecnológicas no controle dos corpos.</p></blockquote>
<p>A título meramente <strong>EXEMPLIFICATIVO</strong> vão aqui alguns dos temas que se encaixariam perfeitamente neste projeto de pesquisa:</p>
<ul>
<li>liberdade sexual (orientação sexual, prostituição, estupro presumido, BDSM, etc),</li>
<li>identidade de gênero (transexualidade, etc),</li>
<li>vida (aborto, esterilização, eugenia, etc),</li>
<li>morte (eutanásia, transplantes, etc),</li>
<li>integridade corporal de crianças e adolescentes (extirpação de clitóris, direito à transfusão de sangue, punição corporal pedagógica, etc),</li>
<li>penas corporais (morte, tortura, castração química, etc),</li>
<li>drogas psicotrópicas (uso, tráfico, embriaguez, etc),</li>
<li>loucura (medida de segurança, etc),</li>
<li>liberdade de expressão (apologia ao crime, incitação ao crime, escárnio religioso, etc),</li>
<li>direito à imagem (crimes contra a honra, execração pública de acusados e condenados criminalmente, etc),</li>
<li>privacidade (revista íntima, monitoração eletrônica, implantes de chips, etc),</li>
<li>laicidade do sistema penal (prevenção especial positiva, APACs, etc)</li>
</ul>
<p>Vê-se, pois que a linha é muito ampla e possibilita uma variedade de temas muito grande para escolha dos candidatos, mas sempre relacionada às ciências penais (seja o Direito Penal, a Criminologia ou o Processo Penal) e ao controle dos corpos (seja na tipificação, na execução da pena, ou nas medidas cautelares).</p>
<p>Lembro a todos que, como participarei da banca avaliadora, por motivos óbvios, não posso ajudá-los de qualquer forma na elaboração de seus projetos. Não adianta me perguntarem se o tema X é &#8220;legal&#8221; ou não, pois eu teria que prejulgar o mérito do seu projeto para opinar e eu não farei isso.</p>
<p>Sejam criativos e pensem em projetos que realmente coloquem o dedo na ferida do sistema penal. Um projeto burocrático não é o que se espera de quem pretende ser mestre em Direito <img src='http://s1.wp.com/wp-includes/images/smilies/icon_wink.gif' alt=';)' class='wp-smiley' /> </p>
<p>As referências bibliográficas serão divulgadas em breve na página oficial do programa. Fiquem atentos.</p>
<p>Bons estudos e boa sorte no concurso!</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/tuliovianna.wordpress.com/1147/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/tuliovianna.wordpress.com/1147/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/tuliovianna.wordpress.com/1147/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/tuliovianna.wordpress.com/1147/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/tuliovianna.wordpress.com/1147/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/tuliovianna.wordpress.com/1147/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/tuliovianna.wordpress.com/1147/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/tuliovianna.wordpress.com/1147/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/tuliovianna.wordpress.com/1147/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/tuliovianna.wordpress.com/1147/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/tuliovianna.wordpress.com/1147/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/tuliovianna.wordpress.com/1147/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/tuliovianna.wordpress.com/1147/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/tuliovianna.wordpress.com/1147/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=tuliovianna.wordpress.com&amp;blog=4381598&amp;post=1147&amp;subd=tuliovianna&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Se comer trufas de licor, não dirija!</title>
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		<pubDate>Fri, 18 Nov 2011 13:54:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Túlio Vianna</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[bafômetro]]></category>
		<category><![CDATA[lei seca]]></category>

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		<description><![CDATA[Afirmar que alguém está embriagado por ter comido algumas trufas de licor soa bastante surreal. Proibir alguém de dirigir um veículo sob o argumento de que a ingestão das tais trufas tornaria a condução perigosa aparenta ser uma norma concebida por um legislador talibã. E é isso que dispõe o art.276 do Código de Trânsito [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=tuliovianna.wordpress.com&amp;blog=4381598&amp;post=1144&amp;subd=tuliovianna&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Afirmar que alguém está embriagado por ter comido algumas trufas de licor soa bastante surreal. Proibir alguém de dirigir um veículo sob o argumento de que a ingestão das tais trufas tornaria a condução perigosa aparenta ser uma norma concebida por um legislador talibã. E é isso que dispõe o art.276 do Código de Trânsito Brasileiro: “qualquer concentração de álcool por litro de sangue sujeita o condutor às penalidades”, seja por ter ingerido trufas de licor, carnes ao vinho ou mesmo por ter usado uma bombinha para asmáticos. Pior: a imprensa noticiará no dia seguinte: “motorista embriagado é flagrado pelo teste do bafômetro”, achincalhando-o perante a opinião pública por ter colocado em risco a segurança do trânsito por sua imprudência desmedida de comer trufas de licor e dirigir. É este o fundamentalismo em que vivemos hoje.</p>
<p>Certamente dirão que o metabolismo é capaz de “limpar” o álcool ingerido nas trufas em pouco tempo, bastando aguardar uns 30 minutos após a ingestão do chocolate antes de dirigir. Mas antes de usar este argumento para legitimar a lei draconiana, tente perceber o quão sem sentido é impedir alguém de dirigir logo após ter comido trufas de licor. Puro autoritarismo legitimado, como todo autoritarismo, na suposta necessidade de proteger a sociedade de um mal injusto e incerto.</p>
<p>Na maioria dos países democráticos, as gradações alcoólicas permitidas no sangue de motoristas são bastante superiores à brasileira: nos EUA, Inglaterra, Canadá e México, ela é de 0,8; na França, Alemanha, Itália, Espanha, Portugal e Argentina é 0,5. O Brasil adota a mesma tolerância alcoólica de países como Arábia Saudita, Emirados Árabes, Paquistão e Bangladesh: zero.</p>
<p>O Brasil adotava a tolerância de 0,6 (seis decigramas) de álcool por litro de sangue até o advento da populista lei nº 11.705 de 19 de junho de 2008 que impôs a tolerância zero como resposta simplista para o grave problema dos acidentes causados pela embriaguez ao volante. Rotular alguém que comeu uma trufa de licor ou bebeu um copo de cerveja de bêbado não evita que aqueles que estão realmente embriagados provoquem acidentes. Serve tão somente para agradar as massas lobotomizadas pela imprensa acrítica que transforma medidas simbólicas como esta em panaceia para problemas reais de difícil solução.</p>
<p>Não bastasse a punição com multa de R$957,70, a apreensão da carteira e a liberação do veículo somente a outro motorista habilitado, caso a concentração de  álcool por litro de sangue seja igual ou superior a 0,6 (seis decigramas) o motorista ainda poderá ser processado e condenado pelo crime do art.306 do Código de Trânsito Brasileiro com pena prevista de detenção de 6 meses a 3 anos. Para que se tenha uma ideia do exagero da pena, um motorista que tenha tomado duas taças de vinho e dirija com total prudência em rua de pouco movimento poderá ser punido com reprimenda maior do que aquele que atropelar um transeunte na faixa de pedestres, deixando-o tetraplégico (art.303 do Código de Trânsito Brasileiro).</p>
<p>O excessivo rigor, tanto na infração administrativa quanto no crime, tem como efeito imediato o temor justificável dos motoristas de submeter-se ao teste do bafômetro. A ingestão desprevenida de uma carne ao vinho no almoço em um restaurante “self-service” pode custar R$957,70 ao desavisado que soprar o bafômetro na certeza de que não bebeu naquele dia. E o motorista que bebeu duas canecas de chope com seus amigos, ousou dirigir pouco mais de um quilômetro até sua casa e foi suficientemente ingênuo para soprar o bafômetro pode acabar sendo condenado criminalmente e estigmatizado como bandido.</p>
<p>Em tempos de fundamentalismo, porém, todo exagero ainda é pouco. Para radicalizar ainda mais, o senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES) apresentou o projeto de lei nº48/2011 propondo a criminalização da condução de veículo automotor sob a influência de qualquer concentração de álcool. Se aprovado, os motoristas brasileiros que ousarem dirigir após comerem trufas de licor não só terão que pagar a multa de R$957,70, mas poderão também ser presos por até 3 anos.<br />
Depois de um projeto deste naipe, qual seria o próximo passo? Proibir a venda de bebidas alcoólicas para quem tem carteira de habilitação? Proibir a venda de bebidas alcoólicas em bares? Proibir toda e qualquer venda de bebidas alcoólicas?</p>
<p>Excessos não contribuem em nada para a educação no trânsito; muito pelo contrário, favorecem a legítima reação popular. No Twitter, os locais e horários das blitzes policiais são divulgados colaborativamente em tempo real em perfis como @LeiSecaSP, @LeiSecaRJ e @BlitzBH. Estes perfis são alimentados de informações por pessoas comuns, inconformadas com o exagerado rigor do Código de Trânsito. Muitas destas pessoas talvez se recusassem a colaborar com o perfil se a lei não fosse tão excessiva, pois acabam possibilitando que criminosos e motoristas efetivamente embriagados desviem das blitzes. Atualmente, porém, esta é a solução que resta à sociedade civil organizada em rede para não só protestar, mas também se defender contra os excessos autoritários da lei. Uma reação plenamente legítima, mas que acaba favorecendo criminosos reais.</p>
<p><strong>Lesividade</strong></p>
<p>Claro que uma Constituição democrática como a nossa não é compatível com o Código de Trânsito draconiano que temos. As leis no Estado Democrático de Direito não podem proibir condutas que não causem lesões ou, ao menos perigos concretos de lesões, a direitos alheios. Este é o famoso princípio constitucional da lesividade que impede que o legislador proíba condutas por mero capricho moral ou religioso. Toda e qualquer proibição legal deve ter por finalidade a proteção de algum direito, sob pena de ser arbitrária e, portanto, inconstitucional.</p>
<p>Comer algumas trufas de licor e dirigir um veículo não causa nem aumenta o risco de um acidente de trânsito. O senso comum percebe isso com facilidade. Beber uma caneca de chope ou uma taça de vinho também não torna ninguém bêbado e uma pequena diminuição dos reflexos nestes casos não é mais relevante da que ocorre em quem dirige com sono ou discutindo com o cônjuge no banco do passageiro. As leis não podem ter a pretensão de evitar todo e qualquer perigo de dano social, sob pena de também multarmos quem dirige com sono ou conversando com o carona. Só um aumento relevante no risco de acidentes justifica a proibição e, para isso, é preciso que haja uma quantidade de álcool no sangue do motorista que comprometa de forma significativa seus reflexos. E isso só começa a ocorrer a partir de 0,6 (seis decigramas) de álcool por litro de sangue na maioria absoluta das pessoas.</p>
<p>Claro que há exceções. Há quem fique bastante alterado com um único copo de cerveja, assim como há pessoas deficientes visuais e epiléticas. Não há qualquer racionalidade, porém, em se obrigar a todos motoristas a dirigir de óculos porque alguns motoristas são deficientes visuais. Ou banir os veículos automotores, porque alguns epiléticos podem ter convulsões ao dirigir e acabarem causando graves acidentes. Para detectar estas especificidades existem os exames médicos no processo de habilitação. O que não é razoável é proibir que milhões de pessoas tenham seus direitos restritos por conta de uma parcela estatisticamente reduzida da população.</p>
<p><strong>Ninguém será obrigado a fazer prova contra si mesmo</strong></p>
<p>A questão mais polêmica que o Supremo Tribunal Federal, mais cedo ou mais tarde, deverá enfrentar é a obrigatoriedade da realização dos exames do bafômetro e de sangue para a prova da embriaguez. O art.5º, LXIII, da Constituição brasileira dispõe que: “o preso será informado de seus direitos, entre os quais o de permanecer calado”, o que vem corretamente sendo interpretado de forma ampla como garantia de que “ninguém será obrigado a fazer prova contra si mesmo”. O STF já decidiu que ninguém é obrigado a fornecer padrões gráficos do próprio punho (HC 77.135) ou padrões vocais (HC 83.096) para realização de exames periciais. Resta saber se os atuais ministros seguirão a mesma linha de raciocínio quanto à obrigatoriedade do bafômetro e do exame de sangue para a constatação da gradação alcoólica no sangue.</p>
<p>Nos Estados Unidos, o análogo “privilege against self incrimination” garantido pela 5ª Emenda da Constituição estadunidense não é considerado uma vedação à obrigatoriedade do bafômetro e do exame de sangue, nem tampouco à obrigatoriedade da concessão de padrões gráficos e vocais. Espera-se que o Supremo Tribunal Federal siga a tradição brasileira de interpretação mais ampla da garantia contra a auto-incriminação e declare ilícita a obrigatoriedade dos exames do bafômetro e de sangue.</p>
<p>Evidentemente que ninguém pode ser prejudicado pelo exercício de um direito, então, se o STF entender que é um direito não realizar os exames, por coerência deverá entender também que a recusa em realizar o exame não pode ser considerada prova de embriaguez. A inversão do ônus da prova neste caso equivaleria à obrigatoriedade de realização do exame, porque é impossível alguém provar que não está embriagado sem realizar o teste do bafômetro ou o exame de sangue.</p>
<p>Por outro lado, é perfeitamente possível provar a embriaguez por testemunhos que afirmem que o acusado apresentava-se com hálito etílico, andar cambaleante, fala desconexa e outros sintomas de embriaguez.  Em tais casos, a polícia poderia simplesmente gravar um vídeo do acusado em que ficassem claros os sintomas, o que poderia ser prova perfeitamente válida, juntamente com os depoimentos das testemunhas. Bastaria que a polícia substituísse os onerosos bafômetros por simples câmeras filmadoras para que a prova fosse feita sem qualquer necessidade de participação do acusado e sem violação ao direito de não produzir prova contra si mesmo.</p>
<p>Resta-nos aguardar a decisão definitiva do STF e esperar que os ministros ponham limites aos excessos autoritários que têm sido praticados em nome da segurança no trânsito. Até lá, se comer trufas de licor, não dirija!</p>
<p><a href="http://www.revistaforum.com.br/conteudo/detalhe_materia.php?codMateria=9331%2FSe+comer+trufas+de+licor%2C+n%C3%A3o+dirija" target="_blank">PUBLICADO ORIGINALMENTE NA REVISTA FÓRUM </a></p>
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		<title>Fiança nos crimes de trânsito</title>
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		<pubDate>Mon, 07 Nov 2011 14:04:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Túlio Vianna</dc:creator>
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		<category><![CDATA[crimes de trânsito]]></category>
		<category><![CDATA[fiança]]></category>

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		<description><![CDATA[A fiança voltou à moda no processo penal brasileiro. A recente Lei 12.403/11, que entrou em vigor em julho deste ano, ampliou as possibilidades de aplicação da fiança e seus efeitos já podem ser lidos nos jornais, especialmente em casos de crime de trânsito. Lamentavelmente, porém, seja por ignorância ou por sensacionalismo, alguns jornais se [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=tuliovianna.wordpress.com&amp;blog=4381598&amp;post=1140&amp;subd=tuliovianna&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="LEFT">A fiança voltou à moda no processo penal brasileiro. A recente Lei 12.403/11, que entrou em vigor em julho deste ano, ampliou as possibilidades de aplicação da fiança e seus efeitos já podem ser lidos nos jornais, especialmente em casos de crime de trânsito. Lamentavelmente, porém, seja por ignorância ou por sensacionalismo, alguns jornais se apressaram a criticar a fiança, expondo-a aos olhos do leitor como sinônimo de impunidade. Não é bem assim.</p>
<p align="LEFT">Nos estados democráticos não existem julgamentos sumários. Ninguém pode ser punido sem que lhe seja dada a oportunidade de defesa perante o judiciário. Qualquer motorista está sujeito a se envolver em acidentes de trânsito que podem ter sido causados por sua culpa – caso em que deverá ser punido – mas também por culpa da própria vítima ou de terceiros. Vítimas também dirigem carros e motos embriagadas e atravessam avenidas movimentadas embaixo de passarelas. A pressa em condenar o motorista ao presenciar a cena do acidente ou simplesmente ao ver uma fotografia em uma notícia de jornal é a pior inimiga da justiça.</p>
<p align="LEFT">Julgamentos criteriosos levam tempo e a fiança não foi pensada como uma punição sumária e antecipada ao motorista, até porque a Constituição da República presume a inocência do acusado até decisão condenatória definitiva. Bradar que houve impunidade por ter sido aplicada fiança é assinar atestado de ignorância, pois sequer houve julgamento ainda. Fiança não é pena de multa e, portanto, não tem a finalidade de punir, mas tão-somente de evitar que o réu fuja antes de ser julgado ou simplesmente não compareça aos atos do processo.</p>
<p align="LEFT">A lógica da fiança é simples: o acusado, que se presume inocente, deposita uma determinada quantia em dinheiro nos cofres públicos como compromisso de que não irá fugir. Se o acusado comparecer aos atos do processo, mas ao final for absolvido, o Estado lhe devolve o dinheiro dado em confiança (art.337 do Código de Processo Penal &#8211; CPP). Se for condenado, o dinheiro será usado para o pagamento das custas do processo, da indenização à vítima ou seus familiares e, eventualmente, da pena de multa à qual for condenado (art.336 CPP). Caso, porém, o acusado não compareça, sem motivo justo, aos atos do processo ou crie outros obstáculos ao julgamento definidos em lei (art.341 CPP), sua fiança será considerada quebrada, e metade do valor depositado será perdido, além de permitir que o juiz decrete até mesmo sua prisão preventiva (art.343 CPP). Finalmente, caso o acusado seja condenado, mas não se apresente para o início de cumprimento da pena imposta, o valor integral da fiança será perdido (art.344 CPP). O dinheiro, nos casos de quebra e perda da fiança, após deduzidas as custas processuais e demais encargos, é destinado ao fundo penitenciário (arts.345 e 346 CPP) e, em tese, utilizado para construção, reforma e ampliação de estabelecimentos penais, bem como para a aquisição de material permanente, equipamentos e veículos para o sistema penitenciário.</p>
<p align="LEFT">No caso do crime de homicídio culposo no trânsito (art.302 do Código de Trânsito Brasileiro – CTB) a fiança pode ser arbitrada pelo próprio delegado, já que sua pena máxima prevista não é superior a 4 anos (art.322 CPP). Em alguns casos de acidentes graves, há uma certa praxe indevida, de se considerar que o crime de trânsito foi doloso (quando o autor teve vontade de matar), hipótese em que a fiança deve ser fixada pelo juiz, já que a pena máxima do homicídio doloso é superior a 4 anos.</p>
<p align="LEFT">O valor da fiança também varia de acordo com a gravidade do crime. Para crimes com pena máxima não superior a 4 anos, o delegado poderá fixá-la entre 1 e 100 salários mínimos (art.325, I, CPP). Já nos crimes com pena superior a 4 anos, o juiz fixará a fiança entre 10 e 200 salários mínimos (art.325, II, CPP). Em ambas as hipóteses a fiança poderá ainda ser aumentada em até 1000 vezes se a condição econômica do acusado indicar que o valor não seria suficiente para evitar sua fuga. Como o objetivo da fiança é justamente evitar que o acusado fuja, seu valor deve ser significativo para ele, a ponto de uma eventual fuga acarretar-lhe um prejuízo considerável. Do contrário, a fiança se tornará inócua, privilegiando aqueles com melhor condição sócio-econômica.</p>
<p align="LEFT">Uma alternativa temperada entre a fiança e a prisão preventiva também viabilizada pela nova lei é a monitoração eletrônica do acusado (art.319, IX, CPP) que pode eventualmente ser utilizada caso a condição sócio-econômica do réu seja tão alta que os valores impostos a título de fiança se mostrem inócuos. Trata-se, porém, de situação excepcional e de alto custo aos cofres públicos e que deve ser reservada para os casos em que, de fato, haja fundado temor de que o réu possa fugir antes da sentença definitiva.</p>
<p align="LEFT">Vê-se, pois, que a fiança longe de significar impunidade, visa justamente impedir que o acusado se esquive de ser julgado. Em estados democráticos, como se pretende ser o nosso, não se pode prender primeiro para julgar e condenar depois, como aparentemente quererem alguns. A regra é o acusado aguardar seu julgamento em liberdade, especialmente em crimes de trânsito nos quais, em princípio, não houve vontade de matar ou de lesar. Claro que, se o acusado quebrar a fiança, estará sujeito à prisão preventiva (art.312, parágrafo único, CPP), mas nunca como punição antecipada pelo crime pelo qual está sendo julgado, mas sim como uma medida cautelar para evitar uma eventual fuga.</p>
<p align="LEFT"><strong>PUBLICADO ORIGINALMENTE NO JORNAL O ESTADO DE S. PAULO de 6 de novembro de 2011.</strong></p>
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			<media:title type="html">Túlio Vianna</media:title>
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		<title>Dez alterações no Direito que marcaram a década</title>
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		<pubDate>Tue, 11 Oct 2011 22:05:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Túlio Vianna</dc:creator>
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		<category><![CDATA[década]]></category>
		<category><![CDATA[direito]]></category>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Não importa o que digam os calendários. O milênio só começou mesmo em 11 de setembro de 2001. As repercussões políticas, sociais e jurídicas dos atentados terroristas nos EUA marcaram decisivamente a década que se seguiu. A Lei Patriota estadunidense (USA PATRIOT Act), de 2001, deu a tônica legislativa da década nos países ricos. O medo tornou-se o motopropulsor de leis que restringiam direitos em nome de uma suposta segurança pública. E criar medo para vender segurança sempre foi a principal estratégia do autoritarismo.<br />
Naquele mesmo mês de setembro de 2001, eu me tornara mestre em Direito pela UFMG, com uma dissertação sobre um tema bastante inusitado para a época: crimes informáticos. O Brasil contava naquele ano com apenas 6 milhões de usuários de internet (hoje somos mais de 80 milhões) e a mídia corporativa pautava as grandes discussões nacionais. A informação era fornecida de cima para baixo por uns poucos donos da verdade, e as críticas às manipulações de notícias dificilmente transpassavam os limites das praças e dos bares.<br />
Foi também naquele mês de setembro de 2001 que o primeiro número da revista Fórum chegou às mãos de seus leitores, inspirada no sucesso da primeira edição do Fórum Social Mundial, realizado em janeiro de 2001, em Porto Alegre (RS).<br />
Dez anos depois, vale a pena olhar para trás e constatar que, apesar da onda mundial de retrocessos jurídicos em nome do combate ao terrorismo, conquistamos inúmeros direitos no Brasil e nossa democracia se fortaleceu. Seria tentador afirmar que houve uma “evolução” do Direito neste período, se a história não nos houvesse ensinado que os direitos não evoluem, mas apenas se modificam. Nada – absolutamente nada – nos garante que o direito de amanhã será melhor ou mais democrático do que o de hoje. Os atos institucionais da ditadura militar não foram uma evolução da Constituição de 1946 e o Direito nazista não foi uma evolução da Constituição de Weimar. Os direitos não evoluem, mas se conquistam e se perdem ao longo da história, de acordo com a política do momento. Não há garantias, não há segurança, não há certezas. A luta por direitos é permanente; não há tréguas.<br />
Relembremos algumas das principais alterações no Direito brasileiro da década.</p>
<p><strong>Novo Código Civil<br />
</strong><br />
O atual Código Civil brasileiro entrou em vigor em 11 de janeiro de 2003, substituindo o antigo código de 1916. O novo código procurou adaptar a legislação civil à realidade social do nosso tempo: reduziu a maioridade civil de 21 para 18 anos (art. 5º), extinguiu a figura do chefe de família (art. 1.511), acabou com a possibilidade de anular o casamento caso a mulher não fosse virgem (art. 1.557), permitiu que os maridos adotassem o sobrenome das esposas (art. 1.565, §1º) e o pátrio poder passou a ser chamado de “poder familiar” (art. 1.630).</p>
<p><strong>Crimes sexuais<br />
</strong><br />
O Código Penal brasileiro também foi modificado ao longo da década para tentar superar o histórico tratamento desigual dado a homens e mulheres. O crime de assédio sexual (art. 216) foi acrescentado em 2001 (Lei 10.224), prevendo pena para os empregadores que constranjam suas funcionárias a com eles manterem relação sexual.<br />
O conceito moralista de mulher honesta (virgens e casadas monogâmicas), presente até então nos arts. 215 e 216, foi expurgado pela Lei 11.106/2005, que deu tratamento igual a todas as mulheres independentemente de sua vida sexual. A mesma lei revogou também os crimes de sedução (art. 217), rapto consensual (art. 220) e adultério (art. 240), resquícios de um tempo em que o Direito Penal foi usado para regular a sexualidade alheia.<br />
Por fim, mais recentemente, em 2009, a Lei 12.015 trouxe inúmeras inovações no tratamento dado aos crimes sexuais. Acabou-se com a distinção entre os crimes de estupro (sexo vaginal forçado) e atentado violento ao pudor (outro ato libidinoso forçado) e, hoje, tanto homens quanto mulheres, quando forçados ao sexo vaginal, anal, oral ou outro ato libidinoso de gravidade semelhante, são considerados vítimas do mesmo crime de estupro (art. 213).</p>
<p><strong>Lei Maria da Penha<br />
</strong><br />
A Lei 11.340 de 2006, conhecida como Lei Maria da Penha, trouxe inúmeras inovações no tratamento dado à violência contra a mulher no Brasil. As medidas protetivas de urgência passaram a ser adotadas com o fim de impedir a continuidade das agressões e foram criados Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher.<br />
Infelizmente, em função da cultura machista arraigada no Judiciário brasileiro, muitos juízes passaram a considerar a lei inconstitucional sobre o pueril argumento de que a lei dá tratamento desigual a homens e mulheres. Claro que é um argumento falacioso, pois não há como se falar em inconstitucionalidade quando o tratamento desigual, por parte da lei, visa a reduzir uma desigualdade social histórica. A igualdade jurídica consiste em tratar desigualmente os desiguais com o fim de reduzir essas desigualdades.</p>
<p><strong>TV Justiça<br />
</strong><br />
A TV Justiça, criada em 2002 pela Lei 10.461, revolucionou o relacionamento do povo com o Supremo Tribunal Federal.  Decisões de extrema importância para o País, que até então eram debatidas tecnicamente por um pequeno grupo de ministros e advogados, passaram a ser assistidas ao vivo por qualquer pessoa do povo, sem qualquer formação jurídica.<br />
O Judiciário é o único Poder da República que precisa manifestar publicamente as razões de suas decisões. E a TV Justiça tem levado ao conhecimento de qualquer pessoa do povo essas razões e funcionado como um instrumento extremamente democrático de controle destas decisões.<br />
É certo, porém, que muitos ministros acabam se deixando levar pelos holofotes e praticando um populismo judicial, muitas vezes em detrimento dos princípios fundamentais da Constituição, mas esse é um preço a se pagar pela democratização do Judiciário.</p>
<p>Reforma do Judiciário</p>
<p>A Emenda Constitucional nº 45 entrou em vigor em dezembro de 2004 e trouxe inúmeras alterações relativas ao Poder Judiciário brasileiro, dentre as quais se destaca a criação do Conselho Nacional de Justiça (art. 92, I-A), composto por 15 membros, que têm por função o controle da atuação administrativa e financeira do Poder Judiciário (art. 103-B, §4º). A Constituição passou a exigir também três anos de atividade jurídica (art. 93,I) para o ingresso na carreira da magistratura e tornou obrigatório os cursos de formação para juízes (art.93, IV).<br />
Finalmente, a Emenda 45 criou a possibilidade de o Supremo Tribunal Federal editar as polêmicas “súmulas vinculantes” (art. 103-A) que restringem a autonomia de julgamento dos magistrados, mas inibem recursos repetitivos sobre matérias já decididas pelo STF.</p>
<p><strong>Informatização judicial<br />
</strong><br />
A Lei 11.419 de 2006 estabeleceu uma série de normas visando a informatizar os processos judiciais brasileiros. Foram criados os Diários da Justiça Eletrônicos, tornando mais rápida e prática a comunicação do Poder Judiciário com os advogados. Espera-se que, num futuro não muito distante, os processos possam tramitar na sua totalidade por meio eletrônico. Além de uma maior agilidade na tramitação dos processos, a informatização judicial garante maior segurança no armazenamento dos dados, evitando que processos “desapareçam” e que fóruns inteiros sejam queimados em incêndios criminosos.<br />
A iniciativa foi recebida com restrições por advogados não familiarizados com as novas tecnologias, mas aos poucos vem sendo incorporada ao cotidiano forense.</p>
<p><strong>ProUni<br />
</strong><br />
O direito à educação, desde 1988, estava garantido no art. 6º da nossa Constituição, mas, até a década anterior, a universidade ainda era inacessível para a maioria absoluta dos brasileiros pobres. O Programa Universidade Para Todos, instituído pela Medida Provisória nº 213 de 2004 e convertido na Lei 11.096/2005, revolucionou a educação superior no Brasil, concedendo bolsas de estudo integrais e parciais em faculdades particulares. Tão importante quanto enunciar direitos em uma constituição é torná-los efetivos por meio de iniciativas concretas no sentido de fazer cumprir o disposto na Carta Magna.</p>
<p><strong>Drogas<br />
</strong><br />
A Lei 11.343 de 2006 revogou a antiga lei de drogas do tempo da ditadura militar (Lei 6.368/76) e acabou com a pena de prisão para os usuários de drogas no Brasil, que hoje somente são punidos com penas de advertência, prestação de serviços e medidas educativas (art. 28). Em contrapartida, aumentou a pena mínima do crime de tráfico de drogas de três para cinco anos (art.33), insistindo na notoriamente ineficaz política de repressão penal às drogas. A nova lei também insistiu no modelo anterior, que não faz qualquer distinção de penas para o tráfico de drogas pesadas (heroína, cocaína, crack etc.) e drogas leves (maconha, lança-perfume etc.), punindo todos com a mesma pena.</p>
<p><strong>Casamento homoafetivo<br />
</strong><br />
Uma das principais conquistas de direito da década não veio do Poder Legislativo, mas do Poder Judiciário. Na ausência de uma lei que regularizasse a união de homossexuais, o Supremo Tribunal Federal decidiu, no julgamento da ADI 4.277, que a Lei da União Estável (Lei 9.278/96) também deve ser aplicada aos casais homossexuais. Tendo em vista que o art. 8º da lei dispõe que os conviventes poderão requerer a conversão da união estável em casamento a qualquer tempo, alguns casais homossexuais já conseguiram converter suas uniões estáveis em casamento. Uma verdadeira revolução no Direito de Família.</p>
<p><strong>Liberdade de manifestação de pensamento<br />
</strong><br />
A liberdade de manifestação de pensamento foi objeto de decisões importantes no STF durante toda a década. A primeira delas se deu no julgamento do HC 82.424 em setembro de 2003, quando o STF entendeu que caracterizava racismo a publicação de livros com revisionismo histórico antissemita. No conflito entre os direitos constitucionais à livre manifestação de pensamento e à igualdade, a balança do STF pendeu no caso para o lado da igualdade. A difícil decisão ainda hoje é bastante controversa.<br />
Em 2009, o STF julgou inconstitucional a Lei de Imprensa (Lei 5.250/67) na ADPF 130 e a obrigatoriedade do diploma de jornalismo para exercício da profissão no Recurso Extraordinário 511.961. Em ambos os casos, o STF buscou garantir ao máximo o direito à liberdade de manifestação de pensamento.<br />
Finalmente, em junho de 2011, o STF considerou plenamente lícita a Marcha da Maconha, que havia sido proibida em várias cidades do País sob o esdrúxulo argumento de que seria apologia ao crime. Mais uma vez, a liberdade de pensamento foi garantida pelo STF.</p>
<p><a href="http://www.revistaforum.com.br/conteudo/detalhe_materia.php?codMateria=9316/Dez%20altera%C3%A7%C3%B5es%20no%20Direito%20que%20marcaram%20a%20d%C3%A9cada">PUBLICADO ORIGINALMENTE NA REVISTA FÓRUM</a></p>
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		<title>Toga transparente</title>
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		<pubDate>Mon, 03 Oct 2011 00:25:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Túlio Vianna</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A exaltada reação do presidente do STF à declaração da corregedora nacional de Justiça de que há &#8220;bandidos escondidos atrás da toga&#8221; reafirma na população o sentimento de que o Poder Judiciário seja uma grande corporação de ofício. Claro que há bandidos no Judiciário, assim como há no Executivo, no Legislativo, no Ministério Público, na [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=tuliovianna.wordpress.com&amp;blog=4381598&amp;post=1134&amp;subd=tuliovianna&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A exaltada reação do presidente do STF à declaração da corregedora nacional de Justiça de que há &#8220;bandidos escondidos atrás da toga&#8221; reafirma na população o sentimento de que o Poder Judiciário seja uma grande corporação de ofício.</p>
<p>Claro que há bandidos no Judiciário, assim como há no Executivo, no Legislativo, no Ministério Público, na polícia e em qualquer outra instituição formada por seres humanos. E isso não deve ser motivo de vergonha para essas instituições (talvez vergonha para a espécie humana, mas não para a instituição).</p>
<p>É impossível evitar que bandidos se infiltrem nas instituições, pois não se pode prever o futuro e ainda não inventaram um &#8220;corruptômetro&#8221; para ser usado em eleições e concursos públicos. Tudo que se pode e deve fazer é punir com rigor e transparência aqueles que no exercício da função pública agem como bandidos. O que deve envergonhar uma instituição não são seus corruptos, mas a leniência de seus órgãos de controle em investigar, julgar e punir esses corruptos. E este sim é um bom motivo de vergonha para o Poder Judiciário brasileiro.</p>
<p>Julgamentos administrativos sigilosos cuja penalidade máxima é a aposentadoria compulsória são a resposta que o Poder Judiciário dá atualmente aos desvios de seus membros. Alegam que o sigilo é necessário, pois, nos casos de absolvição, o magistrado só poderia retomar suas atividades se não tivesse sua honra abalada pela infâmia de um processo. Claro que nunca cogitaram em aplicar essa mesma garantia do sigilo processual aos serventes de pedreiro e camponeses que são julgados em júris transmitidos até pela internet. Dizem que a atividade do juiz se reveste de peculiaridades, quase como se ele precisasse estar além do bem e do mal para julgar e, com isso, reafirmam o discurso seletivo de que a honra dos membros da corte vale mais que a honra do cidadão comum do povo.</p>
<p>É uma falácia afirmar que o sigilo dos julgamentos preserva a instituição, pois na prática só amplia a sensação de impunidade. A sociedade tem interesse legítimo em acompanhar em detalhes os julgamentos dos membros de seus poderes, seja no impeachment de presidentes, governadores e prefeitos, seja na cassação de mandatos parlamentares, seja nos julgamentos administrativos de magistrados. Se, ao final forem absolvidos, a transparência do procedimento, as provas apresentadas ao público e a fundamentação da decisão deverão ser suficientes para permitir que retornem ao exercício de suas atividades. O julgamento sigiloso em nada ajuda a afastar qualquer suspeita, pois o público acaba por tomar ciência da acusação e do processo, mas não lhe é dado acesso às provas e às razões da absolvição, comprometendo a credibilidade da decisão.</p>
<p>Por outro lado, a pena máxima de &#8220;aposentadoria compulsória com vencimentos proporcionais ao tempo de serviço&#8221; é praticamente uma sanção premial. Se alguém cogitasse em aplicar a mesma pena a membros do Executivo que sofreram impeachment, ou a parlamentares que tiveram seus mandatos cassados, certamente soaria como um acinte à opinião pública. A Lei Orgânica da Magistratura Nacional, porém, estabelece essa pena, juntamente com as inócuas penas de advertência e censura e a também premial &#8220;disponibilidade com vencimentos proporcionais ao tempo de serviço&#8221;.</p>
<p>Não bastasse a garantia de sigilo no julgamento e a tranquilidade de, na pior das hipóteses, ser punido com a aposentadoria compulsória, os magistrados corruptos contam ainda com a prescrição como sua grande aliada. As corregedorias dos tribunais nem sempre agem com a devida presteza e muitas acusações fundadas em provas sólidas acabam não sendo julgadas em virtude da prescrição.</p>
<p>O mais grave defeito da lei, porém, é permitir que o julgamento dos magistrados seja realizado por seus próprios colegas de tribunal. Muitos dos magistrados julgados pelos tribunais foram colegas de seus julgadores por mais de 30 anos, tempo mais que suficiente se não para criar uma amizade, ao menos para gerar compaixão pelo companheiro de toga.</p>
<p>Para tentar superar essas excrescências, a Emenda Constitucional nº45, que entrou em vigor em 2004, criou o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que tem por função realizar um suposto controle externo do Poder Judiciário. A bem da verdade, não se trata propriamente de um controle externo, já que dos 15 conselheiros do CNJ, 9 são juízes e apenas 6 são externos. De todo modo, por ser um órgão nacional estaria mais distanciado dos acusados.</p>
<p>Claro que a maioria dos magistrados não ficou nada satisfeita com a criação do CNJ e, desde então, o órgão é visto como uma constante ameaça. E foi nesse contexto que a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) apresentou a Ação Direta de Inconstitucionalidade 4.638 visando a impedir que o CNJ julgue acusações contra magistrados ainda pendentes nas corregedorias dos tribunais. Na prática, essa restrição permitiria que muitas acusações prescrevessem antes de chegar ao CNJ. Permitiria também que os processos continuassem sendo julgados de forma absolutamente sigilosa. Ou, em bom português, tornaria o CNJ um órgão inócuo, condicionando o exercício de suas funções constitucionais à boa vontade de julgar dos tribunais.</p>
<p>E foi justamente quando essa ADI 4638 seria julgada pelo STF, na última quarta-feira (28/9/11), que o presidente Cezar Peluso, incomodado com as declarações da corregedora Eliana Calmon, resolveu retirá-la de pauta. Um mal-estar bastante oportuno, causado por declarações da corregedora que normalmente passariam despercebidas em um único jornal, não fosse a iminência de uma decisão do STF que pode inviabilizar a qualquer momento o controle externo do Judiciário pelo CNJ. Que o tempo ganho permita aos ministros do STF refletir melhor sobre o Judiciário que querem: uma caixa-preta na qual se finge não haver corrupção ou uma caixa transparente na qual bandidos que hoje se escondem em togas sejam deixados nus aos olhos do povo.</p>
<p><a href="http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,a-vergonha-de-uma-instituicao-nao-sao-seus-corruptos-mas-a-leniencia-em-investiga-los-e-puni-los,780271,0.htm" target="_blank">PUBLICADO ORIGINALMENTE NO JORNAL ESTADO DE SÃO PAULO DE DOMINGO, 2 DE OUTUBRO DE 2011.</a></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/tuliovianna.wordpress.com/1134/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/tuliovianna.wordpress.com/1134/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/tuliovianna.wordpress.com/1134/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/tuliovianna.wordpress.com/1134/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/tuliovianna.wordpress.com/1134/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/tuliovianna.wordpress.com/1134/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/tuliovianna.wordpress.com/1134/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/tuliovianna.wordpress.com/1134/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/tuliovianna.wordpress.com/1134/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/tuliovianna.wordpress.com/1134/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/tuliovianna.wordpress.com/1134/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/tuliovianna.wordpress.com/1134/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/tuliovianna.wordpress.com/1134/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/tuliovianna.wordpress.com/1134/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=tuliovianna.wordpress.com&amp;blog=4381598&amp;post=1134&amp;subd=tuliovianna&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
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		<title>Remuneração dos servidores púbicos federais</title>
		<link>http://tuliovianna.wordpress.com/2011/09/24/remuneracao-dos-servidores-pubicos-federais/</link>
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		<pubDate>Sat, 24 Sep 2011 14:20:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Túlio Vianna</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[deputado]]></category>
		<category><![CDATA[juiz]]></category>
		<category><![CDATA[ministro]]></category>
		<category><![CDATA[presidente]]></category>
		<category><![CDATA[salário]]></category>
		<category><![CDATA[servidor público]]></category>

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		<description><![CDATA[O presidente do Supremo Tribunal Federal tem postulado reiteradamente aumento para os juízes e servidores do judiciário. É democrático um juiz ganhar quase 40 vezes o que ganha um trabalhador e quase o dobro do que ganha um Professor Titular de universidade federal? Compare você mesmo e tire suas próprias conclusões: Salário inicial dos servidores [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=tuliovianna.wordpress.com&amp;blog=4381598&amp;post=1122&amp;subd=tuliovianna&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O presidente do Supremo Tribunal Federal tem postulado reiteradamente <a href="http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,dilma-peita-stf-mantem-orcamento-e-tenta-controlar-reajustes-em-serie,776710,0.htm?p=1" target="_blank">aumento para os juízes</a> e servidores do judiciário.</p>
<p>É democrático um juiz ganhar quase 40 vezes o que ganha um trabalhador e quase o dobro do que ganha um Professor Titular de universidade federal? Compare você mesmo e tire suas próprias conclusões:</p>
<p><strong>Salário inicial dos servidores públicos federais:</strong></p>
<p>Juiz federal: 21.766,16</p>
<p>Analista judiciário (3º grau): 6.551,52</p>
<p>Técnico judiciário (2º grau): 3.993,09</p>
<p>Deputado federal (alfabetizado): R$ 26.723,13</p>
<p>Analista legislativo da Câmara dos Deputados (3º grau): 11.914,88</p>
<p>Técnico legislativo da Câmara dos Deputados (2º grau): 5.063,89</p>
<p>Servidor de menor remuneração do Senado Federal: 10.241,36</p>
<p>Médico (40h): 3.534,22</p>
<p>Professor Assistente de universidade federal em regime de dedicação exclusiva (mestrado): 4.651,59</p>
<p>Professor Titular de universidade federal em regime de dedicação exclusiva (doutorado + anos de publicações + concurso com tese): 11.755,05</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><a href="http://www.servidor.gov.br/publicacao/tabela_remuneracao/bol_remuneracao.htm" target="_blank">Tabela de remuneração dos servidores públicos federais do executivo</a></p>
<p><a href="http://www.jf.jus.br/cjf/gestao-pessoas/administracao-de-rh/tabelas-de-remuneracao" target="_blank">Tabela de remuneração dos servidores públicos do judiciário federal</a></p>
<p><a href="http://www2.camara.gov.br/transparencia/recursos-humanos/quadro-remuneratorio" target="_blank">Tabela de remuneração da Câmara dos Deputados</a></p>
<p><a href="http://www.senado.gov.br/transparencia/SECrh/QuadroPessoal_e_EstruturaRemuneratoria.pdf" target="_blank">Tabela de remuneração do Senado Federal (em PDF)</a></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/tuliovianna.wordpress.com/1122/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/tuliovianna.wordpress.com/1122/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/tuliovianna.wordpress.com/1122/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/tuliovianna.wordpress.com/1122/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/tuliovianna.wordpress.com/1122/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/tuliovianna.wordpress.com/1122/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/tuliovianna.wordpress.com/1122/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/tuliovianna.wordpress.com/1122/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/tuliovianna.wordpress.com/1122/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/tuliovianna.wordpress.com/1122/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/tuliovianna.wordpress.com/1122/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/tuliovianna.wordpress.com/1122/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/tuliovianna.wordpress.com/1122/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/tuliovianna.wordpress.com/1122/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=tuliovianna.wordpress.com&amp;blog=4381598&amp;post=1122&amp;subd=tuliovianna&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Túlio Vianna</media:title>
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		<item>
		<title>É hoje: Marcha do Estado Laico em Belo Horizonte e Curitiba</title>
		<link>http://tuliovianna.wordpress.com/2011/09/17/e-hoje-marcha-do-estado-laico-em-belo-horizonte-e-curitiba/</link>
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		<pubDate>Sat, 17 Sep 2011 12:38:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Túlio Vianna</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[estado laico]]></category>
		<category><![CDATA[fundamentalismo religioso]]></category>
		<category><![CDATA[laicidade]]></category>
		<category><![CDATA[marcha]]></category>

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		<description><![CDATA[A indiferença (Bertolt Brecht) Primeiro levaram os comunistas, Mas eu não me importei Porque não era nada comigo. Em seguida levaram alguns operários, Mas a mim não me afectou Porque eu não sou operário. Depois prenderam os sindicalistas, Mas eu não me incomodei Porque nunca fui sindicalista. Logo a seguir chegou a vez De alguns [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=tuliovianna.wordpress.com&amp;blog=4381598&amp;post=1108&amp;subd=tuliovianna&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align:right;"><em>A indiferença (Bertolt Brecht)</em></h3>
<p style="text-align:right;"><em>Primeiro levaram os comunistas,</em><br />
<em> Mas eu não me importei</em><br />
<em> Porque não era nada comigo.</em></p>
<p style="text-align:right;"><em>Em seguida levaram alguns operários,</em><br />
<em> Mas a mim não me afectou</em><br />
<em> Porque eu não sou operário.</em></p>
<p style="text-align:right;"><em>Depois prenderam os sindicalistas,</em><br />
<em> Mas eu não me incomodei</em><br />
<em> Porque nunca fui sindicalista.</em></p>
<p style="text-align:right;"><em>Logo a seguir chegou a vez</em><br />
<em> De alguns padres, mas como</em><br />
<em> Nunca fui religioso, também não liguei.</em></p>
<p style="text-align:right;"><em>Agora levaram-me a mim</em><br />
<em> E quando percebi,</em><br />
<em> Já era tarde.</em></p>
<p style="text-align:left;">Por que sair da minha casa para marchar hoje pelo Estado Laico? Manifestações de rua acabarão com a bancada teocrática do Congresso? O Judiciário tirará os crucifixos de suas paredes? Os governos deixarão de pedir bênçãos aos religiosos para governarem? Uma manifestação com apenas dezenas de pessoas pode mudar alguma coisa?!</p>
<p style="text-align:left;">É provável que a maioria dos políticos não mudará seus hábitos religiosos após a marcha de hoje. Não é esta a pretensão de uma marcha. O principal objetivo é dar visibilidade para a causa e só nas ruas se pode conseguir isso. O cara que estiver no ponto de ônibus vai ver os cartazes e refletir; a mulher na padaria, o motorista no ônibus, as crianças na praça; todos estes vão ver os cartazes e pensar: por que diabos este povo saiu de casa para se manifestar por esta causa? E a imprensa também divulgará, se ainda tiver o mínimo de hombridade. Se não divulgar, o Twitter divulgará e o Facebook divulgará.</p>
<p style="text-align:left;">O fato é que muitas pessoas que jamais se questionaram sobre os rumos que o fundamentalismo religioso tem dado ao nosso país perceberão que algo está errado. E se você for, seus amigos, colegas e familiares refletirão com maior seriedade, pois de uma forma ou de outra, seu pensamento é mais importante pra eles do que o de um desconhecido.</p>
<p style="text-align:left;">Se há uma pessoa caída em uma rua movimentada, muitas pessoas passarão por ela sem lhe prestar socorro, justificando para si mesmas que talvez ela estivesse bêbada ou simplesmente dormindo. Se, porém, alguém parar para lhe perguntar se há algum problema, logo outros pararão também, porque é difícil para o ser humano sair da inércia, mesmo quando a causa é nobre.</p>
<p style="text-align:left;">Hoje começa nas ruas a luta pela efetivação do Estado Laico. Sua presença hoje não acabará com a nefasta influência religiosa na política brasileira, mas trará visibilidade à causa e iniciará uma bola de neve. E é por isso que marcharemos!</p>
<p style="text-align:left;"><a href="https://www.facebook.com/event.php?eid=232157476830525" target="_blank"><strong>MARCHA DO ESTADO LAICO &#8211; BELO HORIZONTE</strong></a></p>
<table>
<tbody>
<tr>
<th>Hora</th>
<td>
<div>
<div>sábado, 17 de setembro · 14:00 &#8211; 18:00</div>
</div>
</td>
</tr>
<tr>
<td colspan="2">
<hr />
</td>
</tr>
</tbody>
<tbody>
<tr>
<th>Localização</th>
<td>
<div>
<div>
<div>Praça Afonso Arinos, Centro</div>
<div>Belo Horizonte, Brazil</div>
</div>
</div>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p style="text-align:left;"><a href="https://www.facebook.com/event.php?eid=245858738787042" target="_blank"><strong>MARCHA DO ESTADO LAICO &#8211; CURITIBA</strong></a></p>
<table>
<tbody>
<tr>
<th>Hora</th>
<td>
<div>
<div>sábado, 17 de setembro · 13:00 &#8211; 17:00</div>
</div>
</td>
</tr>
<tr>
<td colspan="2">
<hr />
</td>
</tr>
</tbody>
<tbody>
<tr>
<th>Localização</th>
<td>
<div><a href="https://www.facebook.com/pages/Pra%C3%A7a-Eufr%C3%A1sio-Correia/241975825834828">Praça Eufrásio Correia</a></div>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<div>
<div>Curitiba, Brazil</div>
</div>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/tuliovianna.wordpress.com/1108/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/tuliovianna.wordpress.com/1108/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/tuliovianna.wordpress.com/1108/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/tuliovianna.wordpress.com/1108/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/tuliovianna.wordpress.com/1108/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/tuliovianna.wordpress.com/1108/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/tuliovianna.wordpress.com/1108/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/tuliovianna.wordpress.com/1108/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/tuliovianna.wordpress.com/1108/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/tuliovianna.wordpress.com/1108/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/tuliovianna.wordpress.com/1108/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/tuliovianna.wordpress.com/1108/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/tuliovianna.wordpress.com/1108/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/tuliovianna.wordpress.com/1108/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=tuliovianna.wordpress.com&amp;blog=4381598&amp;post=1108&amp;subd=tuliovianna&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Túlio Vianna</media:title>
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	</item>
		<item>
		<title>A religião contra o Estado</title>
		<link>http://tuliovianna.wordpress.com/2011/09/13/a-religiao-contra-o-estado/</link>
		<comments>http://tuliovianna.wordpress.com/2011/09/13/a-religiao-contra-o-estado/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 13 Sep 2011 18:14:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Túlio Vianna</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[estado laico]]></category>
		<category><![CDATA[laicidade]]></category>
		<category><![CDATA[religião]]></category>

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		<description><![CDATA[A religião é a política realizada em nome de Deus. O líder religioso, assim como qualquer líder político, pretende governar o maior número de pessoas possível. Um governo que se faz não por leis, mas por dogmas. O monoteísmo é autoritário na sua essência. Nunca houve plebiscitos e nem mesmo reuniões com representantes eleitos pelo [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=tuliovianna.wordpress.com&amp;blog=4381598&amp;post=1104&amp;subd=tuliovianna&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A religião é a política realizada em nome de Deus. O líder religioso, assim como qualquer líder político, pretende governar o maior número de pessoas possível. Um governo que se faz não por leis, mas por dogmas.</p>
<p>O monoteísmo é autoritário na sua essência. Nunca houve plebiscitos e nem mesmo reuniões com representantes eleitos pelo povo para criar os dogmas de uma religião. Eles são ditados de cima para baixo, por alguém que fala em nome do próprio Deus e, portanto, é incontestável, mesmo pela vontade da maioria.</p>
<p>Como os líderes religiosos não dispõem, nos dias de hoje, de um braço armado para fazer valer suas leis pela força, precisam convencer seus governados a se sujeitarem às suas normas pelo proselitismo. E mais: precisam convencer também aqueles que não se sujeitam àquelas normas, ao menos a respeitá-las.</p>
<p>A fé é a mais autoritária das ideologias políticas já inventadas. Um instrumento político quase perfeito que permite ditar normas unilateralmente, governar sem a necessidade de armas e, ainda por cima, blindar-se de críticas em nome da tolerância religiosa.</p>
<p>Como em toda ideologia, há aqueles que acreditam piamente nela e lutam para vê-la concretizada e há também aqueles que simplesmente a tomam como pretexto para satisfazer seus interesses pessoais. Creiam ou não em sua ideologia e em seus deuses, todos agem politicamente no sentido de agregar cada vez mais um número maior de seguidores e de acumular riquezas para sustentar a expansão de sua ideologia e de seu poder político.</p>
<p>E não há nada de errado, por si só, em tentar expandir uma religião ou uma ideologia, acumulando patrimônio e gente disposta a seguir seu código de condutas. É natural que as pessoas se unam em torno de convicções comuns e a partir daí surjam lideranças políticas. O problema surge quando estas lideranças reconhecidas dentro de um grupo resolvem expandir seu poder político para além do grupo, impondo suas normas de condutas não a quem resolveu por conta própria aderir a elas, mas a quem tem ideologias e deuses completamente diferentes. Neste ponto, não se trata mais de uma questão religiosa, mas de uma questão meramente política. A religião só é religião até ser imposta; depois disso é simplesmente política e pode ser exercida tanto pela força das armas como pelos votos de uma maioria fundamentalista. E o uso do nome de Deus para mascarar o exercício deste poder político é a ferramenta política mais hipócrita que já se inventou, mas tem funcionado muito bem ao longo da história.</p>
<p>O exemplo mais bem sucedido deste exercício de poder político em nome de Deus é o da Igreja Católica Apostólica Romana, que acumulou riquezas e impôs suas normas de condutas para populações espalhadas por todo o mundo em nome de seu Deus, durante vários séculos. A Inquisição e a catequização de índios não foram ações religiosas, mas políticas. E pouco importam as boas ou más intenções daqueles que as realizaram, o fato é que buscavam com elas impor normas de condutas a populações que não a aceitaram por livre e espontânea vontade.</p>
<p><strong>O neopentecostalismo e a bancada teocrática</strong></p>
<p>Na atualidade, o Vaticano perdeu grande parte de seu poder político na Europa e, mesmo no Brasil, onde sempre foi muito forte, tem perdido espaço para o neopentecostalismo que, nos últimos anos, vem acumulando grande poder político e econômico.</p>
<p>Se, por um lado, a ausência da uma liderança unificada dificulta o exercício do poder político por estas novas lideranças, por outro, sua ideologia espiritual favorece bastante a acumulação de riquezas pelos seus pastores. Enquanto a moral católica considera a temperança, a caridade e a humildade como virtudes, o neopentecostalismo está fundado na Teologia da Prosperidade e afirma que os verdadeiros fiéis devem desfrutar de uma excelente situação econômica. Há, é claro, um detalhe: para que Deus conceda ao fiel as benesses materiais, é preciso que este faça um pacto com Ele, oferecendo-Lhe toda sorte de oferendas materiais, dentre as quais se destaca o dízimo. É a chamada Doutrina da Reciprocidade, que viabilizou todas estas rápidas expansões de igrejas neopentecostais nos últimos anos.</p>
<p>Escudados na liberdade religiosa, pastores cobram impostos privados de seus fiéis – o famoso dízimo – e não precisam pagar qualquer imposto ao Estado, pois a Constituição da República garante em seu artigo 150, VI, b, a imunidade tributária a templos de qualquer culto. Verdadeiros impérios econômicos vêm sendo erguidos assim, tal como ocorreu no passado com a Igreja Católica. E, tal como ocorreu no passado também, esse dinheiro vem sendo usado para expandir o poder político dos líderes desta Igreja, seja por meio da aquisição de meios de comunicações (inclusive de redes de televisão), seja pelo financiamento de campanhas para cargos públicos destes líderes que cada vez mais vêm ocupando cargos, especialmente no Parlamento brasileiro.</p>
<p>Como sempre, os novos líderes espirituais afirmam que todos estes investimentos materiais têm como único e exclusivo objetivo a expansão da palavra do Deus deles e de seu código moral, que, como em toda boa religião monoteísta, deve ser universalizado para o “bem de todos”. Ainda que se admita, porém, que não haja interesses pessoais por trás da expansão destes impérios da fé, fato é que o seu principal objetivo declarado é a expansão de seu poder político, açambarcando a cada dia um número maior de fiéis e impondo seu código de condutas a um maior número de pessoas. Mesmo que para isso precise passar por cima do Estado Democrático de Direito que, ao contrário do monoteísmo, não impõe normas unilateralmente e pressupõe o respeito à pluralidade de opiniões.</p>
<p>Do ponto de vista exclusivamente político, o Estado Democrático de Direito é o maior entrave à expansão do império econômico e político das igrejas neopentescostais e de seus bispos. Não é à toa que cada vez mais eles têm buscado conquistar cadeiras do Parlamento. E a bancada teocrática tem se tornado a cada dia uma das principais forças políticas de nosso Congresso, restringindo os direitos fundamentais de quem não acredita em seu Deus em prol da expansão política e econômica de seu império.</p>
<p>A teocracia é incompatível com o Estado Democrático de Direito, dado o autoritarismo inerente ao monoteísmo. Não se realizam votações para saber se é da vontade de Deus receber dízimos ou condenar os homossexuais a passarem a eternidade no inferno. São seres humanos que afirmam isso e que impõem aos outros a palavra de Deus que eles próprios escreveram. E estas são ações políticas e como tais devem ser tratadas.</p>
<p>E é por isso que o Estado Democrático de Direito é, por sua própria natureza, laico. Porque é impossível ser democrático e monoteísta ao mesmo tempo. Assim como é impossível ser candidato a um cargo público e bispo, pastor ou padre ao mesmo tempo. Há um evidente conflito de interesses entre aquele que fala em nome de seu Deus e aquele que pretende falar em nome do povo em meio ao qual nem todos acreditam em seu Deus.</p>
<p>Para minimizar esta incompatibilidade é necessário, ao menos, que se exija que bispos, padres, pastores e outros clérigos se licenciem de suas atividades sacerdotais um ano antes de se candidatarem a cargos públicos. Restrição semelhante já é aplicada pela lei complementar 64/90 a magistrados, diretores de sindicatos e outros cargos públicos, tendo em vista a incompatibilidade de suas funções com uma campanha eleitoral, e poderia perfeitamente ser aplicada também aos sacerdotes de qualquer crença. Projeto de lei neste sentido foi apresentado pela deputada Denise Frossard (PSDB-RJ) na Câmara dos Deputados em 2004 (PLP 216/2004), mas foi arquivado em 2007, pois ainda se encontrava em tramitação no fim da 52ª legislatura e não houve pedido de desarquivamento na legislatura seguinte.</p>
<p>Uma outra iniciativa necessária é limitar a transmissão de programas religiosos em rádios e televisões para no máximo uma hora diária, tal como foi proposto em 1999 (PLS 299/99) pelo senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT). A Constituição da República é explícita em seu artigo 221, ao determinar que a programação das emissoras de rádio e televisão terá, por preferência, finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas. É inconcebível que, no Estado laico, concessões públicas de rádio e TV sejam usadas, como são nos dias de hoje, em prol do proselitismo religioso que não raras vezes passa boa parte do tempo solicitando doações financeiras a seus fieis. Um autêntico merchandising da fé, patrocinado pelo Estado que, por definição constitucional, é laico.</p>
<p>Lamentavelmente, porém, há pouca vontade e coragem política dos parlamentares brasileiros de desafiar o poder político e econômico do novo e do velho clero. A esquerda tem sido bastante leniente com as violações do Estado laico e as poucas inciativas para amenizar o problema, como se viu, por mais paradoxal que seja, partiram do conservador PSDB.</p>
<p>O Brasil precisa urgentemente de uma bancada secular no Congresso Nacional para fazer frente à bancada teocrática (que prefere ser chamada de evangélica). Os valores democráticos da laicidade precisam ser reafirmados por parlamentares que não temam desafiar o crescente fundamentalismo religioso que a cada dia ganha espaço na política brasileira. Não se trata de um combate a qualquer religião, mas à política realizada em nome de Deus e que pretende impor seus códigos de condutas conservadores a toda uma população.</p>
<p>A luta pela efetivação do Estado laico é a luta pela democracia. Por leis que sejam ditadas não de cima para baixo por uma autoridade que fala em nome de Deus, mas construídas a partir do diálogo plural e com respeito aos direitos fundamentais. E isto, deus monoteísta nenhum poderá conceder, pois seus mandamentos são – por definição – mandamentos.</p>
<p>Monoteísmo e democracia são ideologias políticas antagônicas. É esta a grande cruzada da religião contra o Estado.</p>
<p><a href="http://www.revistaforum.com.br/conteudo/detalhe_materia.php?codMateria=9291/A%20religi%C3%A3o%20contra%20o%20Estado" target="_blank">PUBLICADO ORIGINALMENTE NA REVISTA FÓRUM Nº101</a></p>
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		<title>Criminalizar a homofobia</title>
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		<pubDate>Sat, 20 Aug 2011 13:16:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Túlio Vianna</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[criminalização]]></category>
		<category><![CDATA[homofobia]]></category>
		<category><![CDATA[plc 122]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p>O Congresso Nacional brasileiro não costuma convidar traficantes de drogas para audiências públicas destinadas a debater se o tráfico de drogas deve ou não ser crime. Também não convida homicidas, ladrões ou estupradores para dialogarem sobre a necessidade da existência de leis que punam seus crimes. Já os homofóbicos têm cadeiras cativas em todo e qualquer debate no Congresso que vise a criar uma lei para punir suas discriminações. Estão sempre lá, por toda parte; e é justamente por isso que a lei ainda não foi aprovada.</p>
<p>A proposta da nova lei é demasiadamente simples: acrescentar a discriminação aos homossexuais no rol das que já são punidas pela lei penal brasileira. Nossa atual Lei 7.716/89 já pune as discriminações por raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional e passaria a punir também as discriminações por orientação sexual. Hoje é crime impedir um negro de frequentar uma loja, restaurante ou hotel, mas não há penas previstas para o caso de a vítima da discriminação ser homossexual. Pelo projeto, a mesma proteção contra a discriminação que se dá hoje ao negro seria estendida aos homossexuais. Nada muito revolucionário; uma mudança mínima na lei, mas muito relevante para quem é homossexual e sofre o preconceito na pele diariamente.</p>
<p>O artigo 20 da lei atual prevê ainda punição para quem “pratica, induz ou incita a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional” e, pelo projeto, as mesmas penas seriam aplicadas a quem praticasse o crime contra os homossexuais. Os fundamentalistas religiosos, porém, não gostaram nada da ideia e defendem, com unhas e dentes, seu suposto direito de discriminar homossexuais.</p>
<p>Dificilmente um congressista subiria em uma tribuna para defender que um pastor ou um padre tem direito de discriminar um negro, porque este seria um pecador. O racismo brasileiro é tímido demais para tolerar uma excrescência dessas. Já a homofobia é escancarada e o que se vê todos os dias são congressistas lutando pelo direito de discriminar homossexuais, sem maiores pudores.</p>
<p>Para tentar contornar o busílis, a senadora Marta Suplicy (PT-SP) propôs uma subemenda ao projeto, acrescentando uma exceção de que a lei não se aplicaria “à manifestação pacífica de pensamento decorrente de atos de fé, fundada na liberdade de consciência e de crença de que trata o inciso VI do art.5º da Constituição Federal”. Ou seja: a nova lei toleraria que pastores, padres e outros clérigos, durante seus cultos religiosos, afirmassem que os homossexuais, os negros e outras minorias são pecadores e já possuem câmaras de tortura reservadas para eles no inferno.</p>
<p>Ainda que o recuo tático da senadora possa ser interpretado por muitos como um retrocesso, na atual composição do Congresso Nacional, marcada por expressiva presença de fundamentalistas religiosos, ele se faz necessária para neutralizar o principal argumento dos homofóbicos: o suposto cerceamento da liberdade de manifestação de fé e pensamento.</p>
<p><strong>Discriminar em nome de Deus</strong></p>
<p>Não existem direitos absolutos e, quando nos deparamos com um conflito de direitos, é preciso ponderar para que se permita o máximo exercício de ambos os direitos com o mínimo cerceamento de cada um deles. No conflito entre o direito à livre manifestação de fé e de pensamento e o direito à igualdade e à honra, a questão é definir se a lei deve punir apenas as ações discriminatórias (como impedir um negro ou um homossexual de frequentar um restaurante) ou também as manifestações de pensamento preconceituosas (como afirmar publicamente que um negro ou um homossexual está fadado a passar a eternidade queimando no inferno).</p>
<p>A solução dada a esse conflito de direitos varia nas democracias contemporâneas. Nos EUA, o direito à liberdade de manifestação de pensamento tende a preponderar, em função da enorme relevância que a cultura jurídica estadunidense atribui à primeira emenda da sua Constituição. Por conta disso, admite-se a manifestação de pensamentos preconceituosos, punindo-se exclusivamente as ações discriminatórias. Já na Europa, em função da dramática experiência histórica do nazismo, mesmo as manifestações de pensamento preconceituosas costumam ser criminalizadas.</p>
<p>No Brasil, em função da forte presença religiosa que tem dominado o Congresso Nacional, o mais provável é que o “direito de discriminar em nome de Deus” acabe mesmo sendo incorporado à lei. Com isso, nosso sistema se aproximaria da tradição estadunidense, permitindo a livre manifestação de ideias preconceituosas, mas punindo as ações concretas de discriminação. Um avanço, sem dúvidas, em relação à ausência de punição às discriminações homofóbicas que temos hoje, mas que está longe de pôr um ponto final no tratamento jurídico dado à questão.</p>
<p><strong>Homofobia mata</strong></p>
<p>O debate sobre a discriminação em razão da orientação sexual vai muito além da defesa do respeito à honra e à dignidade dos homossexuais. É um debate sobre o direito à liberdade dos homossexuais de expressarem seu afeto em locais públicos sem serem importunados, ameaçados, agredidos ou mesmo mortos.</p>
<p>Os crimes violentos contra homosse­xuais têm aumentado bastante no Brasil nos últimos anos. Segundo o Relatório Anual de Assassinato de Homossexuais de 2010, divulgado pelo Grupo Gay da Bahia (GGB), no ano passado foram documentados 260 homicídios de gays, lésbicas e travestis, o que demonstra um crescimento significativo em relação aos 198 homicídios registrados em 2009.</p>
<p>A aprovação de uma lei punindo as discriminações contra os homossexuais, por certo, não terá o condão de eliminar esses crimes, até porque já existem penas para os crimes de ameaça, lesões corporais e homicídios. A criminalização desse tipo de discriminação, porém, terá um importante efeito simbólico de estabelecer que a sociedade brasileira não tolera mais a discriminação homofóbica e valora esta conduta como uma grave violação das regras de boa convivência inerentes a uma sociedade democrática.</p>
<p>No passado, o homossexual já foi tratado como criminoso e foi punido pelo crime de sodomia. Posteriormente, foi tratado como vítima de uma doença chamada homossexua­lismo e, não raras vezes, submetido aos mais variados e desumanos tratamentos compulsórios. Hoje, a Medicina reconhece a homossexualidade como uma dentre as diversas orientações sexuais possíveis e o Direito brasileiro reconhece a união estável de casais homossexuais como plenamente legal.</p>
<p>A cultura preconceituosa criada e mantida ao longo de décadas, porém, não foi erradicada pelos novos posicionamentos da Medicina e do Direito. É preciso novas leis que estimulem e promovam a igualdade de tratamento que, ao longo de tanto tempo, foi reiteradamente rejeitada.</p>
<p>O Direito Penal tem, neste momento histórico, um importante papel como instrumento de promoção de direitos. A Lei 7.716/89 tem sido, desde sua entrada em vigor, uma poderosa ferramenta no combate à discriminação racial. Que sirva também para combater a homofobia.<br />
Assim como hoje é considerado criminoso quem discrimina o negro, amanhã também deve ser quem discrimina o homossexual. E ainda que, por ora, todos continuem sendo livres para expressar seus pensamentos preconceituosos em nome de seu Deus, chegará um dia em que a maioria terá vergonha de fazê-lo em voz alta. E, nesse dia, talvez não sejam mais necessárias leis penais para coibi-los &#8211; o asco social lhes bastará.</p>
<p><a href="http://www.revistaforum.com.br/conteudo/detalhe_materia.php?codMateria=9272" target="_blank">PUBLICADO ORIGINALMENTE NA REVISTA FÓRUM Nº100</a></p>
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		<title>Audiência pública do Projeto de Lei de Crimes Informáticos</title>
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		<pubDate>Sat, 16 Jul 2011 13:55:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Túlio Vianna</dc:creator>
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