Matéria do Estadão de hoje: Fifa repreende comemoração religiosa da seleção brasileira: federação manda alerta à CBF após o Brasil ser acusado de utilizar o futebol como palco para a religião.

A sabedoria popular ensina que futebol, política e religião não se discutem. E eu acrescento: não devem se misturar também.

Não deveriam, mas se misturam: quantos candidatos a cargos públicos não foram eleitos por seu time ou por sua religião? quantas e quantas vezes o nome de Deus não é invocado em favor de um time de futebol (por que Ele deveria proteger o seu time e não o meu?)? E agora mais essa: os jogos de futebol sendo utilizados como propaganda religiosa.

“Ah, não tem nada demais isso”, dirão muitos; “É só um agradecimento a Deus por parte de um fiel”, dirão outros.

Não, não é. É proselitismo religioso.

Se o intuito é agradecer a Deus, os jogadores deveriam organizar um culto (ecumênico, católico, protestante ou o que preferirem) longe dos gramados, ou simplesmente, fazerem suas orações no vestiário. Showzinhos de demonstração de fé perante as câmeras estão mais para propaganda religiosa pura e simples do que para sincero agradecimento a Deus.

O torcedor não vai ao campo interessado em religião. Ele vai para assistir a futebol, quando possível, de boa qualidade e para torcer pela vitória de seu time.

Aproveitar uma vitória para divulgar uma religião para milhares de pessoas que compareceram ali e para milhões que ligaram sua TV para assistir ao futebol é marketing religioso barato. Ou melhor, gratuito (a Nike paga um bom dinheiro para colocar sua marca no uniforme da seleção brasileira; as religiões não precisaram pagar nada).

Se a moda pega, haverá espaço na seleção brasileira para jogadores muculmanos? budistas? ateus? Sim, porque se não há mal algum em ver o Kaká com uma camisa “I belong to Jesus”, um outro jogador pode querer usar uma camisa “Deus um delírio” e ninguém vai poder reclamar. Ou vai?

E se o jogador em vez de propagandear seu deus, resolver divulgar seu candidato? Na Copa do Mundo poderíamos ter jogadores na seleção “Vote Dilma!” e “Vote Serra!”. E o torcedor em casa “rezando” para o “Vote Serra!” ser substituído e para o “Vote Dilma!” fazer um gol.

A “guerra” em campo é em nome de um time e não de um candidato ou de um Deus. O esporte historicamente sempre uniu os povos, em torno do lúdico. Que a religião não entre em campo para separar jogadores e torcedores de um mesmo time.

Cada um no seu quadrado!

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Atualização em 21/7/2009, às 21h17 : ‘Apóstolo’ concede a Kaká a unção de presbítero da Renascer.  Pronto! Kaká agora pode fazer proselitismo “oficialmente” em campo.

Atualização em 2/8/2009, às 16h50: Juca Kfouri concorda comigo.