Qualquer pessoa minimamente sensata sabe que mandar batalhão de choque pra dentro de um campus universitário vai dar merda. É inevitável.

Polícia é treinada para lidar com bandido. Não com bandido de colarinho branco, pois este ela não pode sequer algemar. Mas com bandido pobre, que na maioria absoluta das vezes abaixa a cabeça e apanha quieto, pois aprende desde cedo que só lhe resta esta opção.

Estudante universitário é contestador por natureza. Estão em pleno vigor da sua capacidade intelectual e crítica. Se o professor não se fizer respeitar no primeiro mês de aula, estará perdido. Nada o salvará do senso crítico de seus alunos.

Polícia obedece a ordens. Estudante desobedece aos pais, professores e, claro, à polícia. São tribos antípodas.

O campus universitário é a casa dos estudantes. O lar da crítica por excelência. O teatro das mais diversas reivindicações estudantis.

Quer criar uma tragédia garantida? Chame a polícia para organizar o evento. É tiro e queda! Porrada garantida ou sua bomba de gás lacrimogêneo de volta.

Sabe por quê? Porque você vai colocar a polícia na casa da molecada e vai dizer: “não batam, só organize”. E vai dizer pros estudantes: “a polícia só está aqui para garantir a ordem”.

Só que o barril de pólvora já está criado e a faísca pode ser qualquer olhar torto.

Alguma hora um estudante naquela centena fará uma provocação e algum daqueles policiais vai interpretar inevitavelmente como “desacato a autoridade” e vai descer o cacete, esquecendo-se de que aquele estudante não é o bandido pobre que está acostumado a apanhar calado e de cabeça baixa.

Este momento é inevitável. Vai acontecer sempre. E, se um estudante provocar e um policial assinar o recibo, a guerra começará inevitavelmente.

Claro que tudo isso é óbvio demais para qualquer pessoa de bom senso.

Somente um irresponsável, sem a mínima predisposição ao diálogo , optaria por mandar o batalhão de choque da polícia a um campus universitário para “apaziguar” os ânimos.

Deu no que deu.